sábado, 12 de fevereiro de 2011

Meu quarto

No meu quarto passo a maior
parte dos meus dias, as vezes
ele parece meu templo onde eu
posso ser eu mesma...

As vezes parece uma prisão,
ou talvez o Umbral...
onde meus erros, medos e fragilidades
ficam expostos, ficam estampados
na minha cara.

As vezes ele parece um cemitério,
onde fico velando, desenterrando e
sepultando lembranças, medos, angústias.
Quem sabe até sepultando a mim mesma...

Tem vezes que ele parece meu refúgio,
no qual eu posso me esconder do mundo lá fora.
O mundo as vezes é tão assustador que fico
tentando fugir dele... (Ilusão!)

Meu mundo particular as vezes é mais
assustador que o mundo lá fora,
e como me aprisionei nele, as dores
ficam mais evidentes ainda... e sem
ter pra onde fugir...

Na maioria dos dias, meu quarto é
todas essas coisas juntas.
Olho pela janela e vejo as nuvens
passarem, na esperança de que
meu passado também passe por mim.

Meu quarto é um consolador tirânico,
é uma libertadora prisão.
Quando entro em contato com meu mundo,
no meu quarto, posso ter inspiração.
Mesmo que essa tal inspiração seja
atormentadora...

Meu quarto e o mundo que vejo através
dele, refletem o cinza e a escuridão do meu ser,
mas também refletem as cores que ainda conservo
dentro de mim, refletem o amor, o medo, a esperança,
o desespero, a raiva, a tristeza seja ela nostálgica
ou melancólica.

Meu quarto é meu oásis... é uma ilusão verdadeira.
Ele me refugia e aprisiona, me acolhe e me deixa
em abandono... meu quarto tem minha vida
impregnada nele, aqui eu posso curtir minha solidão!

Trancada no meu quarto presto culto a solidão,
a solidão que ele tem, que ele expressa.
Mesmo que pareça mórbido estar dentro dele,
eu continuo aqui, porque mesmo sendo solitário
ainda é o lugar onde me sinto menos só.

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